sexta-feira, 18 de junho de 2010

O que disse o crítico Osvaldo Guarilha:





Até que ponto um adulto pode ser influenciado pelos traumas da infância? Eles o ajudarão na busca do sucesso e da superação? Ou serão um estorvo para o resto da vida, mantendo o indivíduo no terreno do fracasso? Depende da determinação de cada um.
Benjamin é um desses muitos atormentados pela infância e adolescência conturbadas. Aos 26 anos, é um homem rico. Fazer dinheiro incessantemente é a sua especialidade e razão de viver. Excêntrico, seco e antipático, mora na cidade grande, enfurnado num prédio velho e feio chamado Parque Pardais. Há no sombrio edifício mais três moradores: Anabella, a estranha e notívaga caçadora de prazeres; Eloíse, a aprendiz de bruxarias que ninguém vê quando chega ou sai; e Eugênio, o quase-morto que nunca escapa do seu apartamento. Quatro indivíduos morando no mesmo lugar. Nunca se vêem, mas por alguma razão se conhecem e se detestam. Em comum a todos, dois fatos: vieram do interior e possuem profundas dores na alma. Mas cada um deles reage às feridas de forma diferente.
Este é o ponto central do livro “VERDADES INTOLERÁVEIS”, do escritor mineiro Roberto Marcos. Escrito em linguagem impecável e atraente, usando o coloquial e o rebuscado sem exageros, Roberto nos apresenta quatro personagens bem construídos e invade-lhes a alma com competência. Capítulo a capítulo, a história vai aumentando em dramaticidade e suspense, ora confundindo, ora surpreendendo o leitor. Sua capacidade de esmiuçar detalhes, sem tornar a leitura cansativa, faz-nos ver as pessoas e as paisagens e vivenciar situações como se estivéssemos no cinema quase.
Gradativamente, o autor vai unindo os personagens que se detestam, e as coloca frente a frente com as verdades intoleráveis. E agora? Como cada uma dessas almas atormentadas enfrentará esse desafio? Nem tentem imaginar o final. Ele é tão surpreendente quanto à própria história.
VERDADES INTOLERÁVEIS, um dos melhores livros que já li, foi escrito por um homem ainda desconhecido pela esmagadora maioria dos brasileiros.
OSVALDO GUARILHA

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